sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

34 - Os imigrantes no século XIX e XX no estado do Paraná

   
Durante todo o século XIX, a Europa passou por profundas mudanças políticas e econômicas. O surgimento das fábricas, que produziam uma grande quantidade de produtos por um preço menor, e o crescimento do uso das máquinas na produção agrícola, geraram um grande número de desempregados.
Muitos europeus que não viam mais condições de sobreviver em seus países optaram por recomeçar a vida em outro lugar. O Brasil representava uma boa alternativa, uma vez que havia necessidade de mão de obra nas fazendas de café e também era necessário povoar parte do território que estava desocupado.
Incentivados pelas promessas de uma vida melhor, um grande número de europeus veio para o Brasil no século XIX.
A vinda de imigrantes cresceu muito a partir de 1850, porém, alguns anos antes, o Imperador D. Pedro I já havia promovido a vinda de estrangeiros como solução para ocupar o território brasileiro.
Por influência de sua esposa, a imperatriz Dona Leopoldina, ele escolheu imigrantes de origem alemã. Os primeiros deles chegaram ao Brasil em 1824 e se estabeleceram na região de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro.
No mesmo ano, outra leva de imigrantes se instalou no Rio Grande do Sul, onde receberam sementes para iniciar as plantações e cabeças de gado para o sustento, já que era de interesse do governo que esses imigrantes povoassem a região Sul. Um grande grupo de imigrantes formado por alemães, poloneses e russos destinava-se aos estados do Paraná e Santa Catarina.
O governo brasileiro também se preocupava com o isolamento das terras do sul do Brasil, onde havia grandes regiões que não estavam povoadas.
Com a chegada da Família Real ao Brasil, Curitiba tornou-se sede da 5.a Comarca de São Paulo e, seguindo a política de ocupação estabelecida por D. Pedro, tiveram início as primeiras expedições povoadoras nos Campos de Guarapuava.
Nos anos seguintes, sucessivas levas de imigrantes chegaram ao Paraná: em 1829 os alemães, que se instalaram na Lapa e em Rio Negro; em 1839 iniciou-se o povoamento dos Campos de Palmas; em 1854 surgiram outras colônias de imigrantes europeus (Colônia do Assungüi, Colônia Thereza e Colônia do Superagui).

Imigrantes poloneses




Entre 1860 a 1880 foram estabelecidas 27 colônias com imigrantes alemães, poloneses e italianos nos arredores de Curitiba, Paranaguá, São José dos Pinhais, Antonina, Lapa, Campo Largo, Palmeira, Ponta Grossa e Araucária, como também surgiram núcleos de migrantes mineiros e paulistas no Norte (velho) do Paraná para plantarem café.
Os colonos alemães procuraram manter seu estilo de vida, preservando a língua e a religião. Construíram escolas próprias para difundir a identidade e a cultura alemã. Esses imigrantes trouxeram para a América novas técnicas agrícolas, introduzindo o plantio do trigo e a criação de suínos.
Além dos alemães, chegaram também ao sul do Brasil, a partir de 1850, em grande número, italianos, espanhóis, portugueses e poloneses. O governo brasileiro promoveu a imigração subvencionada, ou seja, o imigrante e sua família recebiam a passagem de navio até o Brasil e o transporte terrestre até a região onde deveriam se estabelecer. Essa política tinha como objetivo estimular a vinda de estrangeiros para o país. O destino desses imigrantes eram as fazendas de café de São Paulo e os núcleos de colonização no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, no Paraná e no Espírito Santo.
Ao chegar à fazenda, o imigrante e sua família recebiam o salário misto, isto é, uma quantia em dinheiro e um pedaço de terra para produzir o seu próprio alimento e criar uns poucos animais. Toda a família trabalhava, inclusive as mulheres e as crianças.
Após alguns anos, começaram a surgir denúncias na Europa sobre as privações sofridas pelos primeiros imigrantes no Brasil. Diante desse fato, a Alemanha criou medidas para dificultar a saída de pessoas do país.
O governo brasileiro passou, então, a incentivar a vinda de italianos. Como essa vinda foi posterior à dos alemães, suas terras eram mais distantes das regiões habitadas e também menos férteis. Eram muitas as dificuldades encontradas pelos imigrantes ao se estabelecerem no Brasil.
A localização dos lotes recebidos pelo governo, muitas vezes de difícil acesso, gerava problemas para distribuir as mercadorias produzidas, o que fez com que muitos abandonassem as terras recebidas e migrassem para as cidades em busca de outras oportunidades.
Em 1902, a Itália também proibiu a imigração subvencionada, pois havia denúncias de que os contratos com os italianos não eram cumpridos.
Após o final da Guerra do Contestado, o governo do Paraná decidiu ceder terras devolutas, ou seja, terras que eram do governo, para companhias colonizadoras que promoviam a vinda de imigrantes.
Em 1875, iniciou-se, no Brasil, uma intensa colonização por parte de imigrantes italianos e, no Paraná, começaram a difundir novas culturas agrícolas com a produção de uva, de arroz, de milho e de fumo. A produção de vinho também tomou grande impulso nesse período.
Os ucranianos chegaram ao Brasil por volta de 1895 e, no Paraná, fundaram a Colônia Santa Bárbara, próxima ao município de Palmeira, onde passaram a cultivar cereais, legumes e frutas.
A maioria dos imigrantes poloneses se dirigiram para áreas ainda não desbravadas ou para colônias ao redor de Curitiba, que passaram a formar o primeiro cinturão verde do país.
Essas colônias deram nome a alguns dos bairros mais tradicionais da cidade como: Pilarzinho, Santa Cândida, Orleans, Abranches, Santo Inácio e Lamenha.

Imigração polonesa no Paraná






Os colonos poloneses trouxeram novas técnicas de cultivo e se constituíram como importante elemento de desenvolvimento – principalmente da cidade de Curitiba –, assim como os italianos que se estabeleceram em terras próximas de Curitiba dando origem a Colombo, Santa Felicidade, Piraquara e Água Verde. Ainda fundaram colônias em Paranaguá, Morretes, Antonina, São José dos Pinhais e Campo Largo.
No início do século XX, principalmente na década de 1930, muitos japoneses vieram para o norte do estado atraídos pela fertilidade das terras da região, onde fundaram diversas colônias e povoações, como Assaí, Uraí e Cambará, as quais ainda concentram maior número de imigrantes nipônicos no Brasil. Os imigrantes japoneses se dedicaram ao cultivo do algodão e aperfeiçoaram as técnicas de plantio de legumes, verduras, flores e frutas. Também introduziram a cultura do bicho-da-seda, do caqui e do poncã.
Desse modo, chegaram ao Paraná imigrantes das mais diversas origens: noruegueses, suecos, dinamarqueses, austríacos, alemães, poloneses, suíços, belgas, gregos, turcos, ucranianos, russos, franceses, italianos, sírios, libaneses, tchecoslovacos, que ajudaram a construir o estado paranaense.
O trabalho de exploração da madeira no sertão paranaense iniciou-se juntamente com a extração e o comércio da erva-mate.
No início do século XIX, a erva-mate abriu o comércio de exportação e se tornou a base de desenvolvimento econômico paranaense até os anos de 1930, quando a concorrência argentina encerrou a predominância da erva-mate paranaense.
A chegada de migrantes paulistas, mineiros, gaúchos e catarinenses ocasionou o desmatamento e expandiu a fronteira agrícola. No norte do Paraná, a madeira foi retirada para dar lugar às lavouras de café. No sudoeste e oeste, a mata de araucárias deu lugar à policultura e à criação de animais. A agricultura, a construção de cidades e a abertura de estradas derrubaram grandes áreas de florestas.
A partir do final da década de 1930, iniciou-se um processo novo de ocupação territorial no Paraná nas regiões sudoeste e extremo-oeste por parte dos migrantes vindos do Rio Grande do Sul e, principalmente de Santa Catarina, que implantaram o regime de pequenas propriedades e a policultura de cereais e oleaginosas. Além disso, dedicavam-se também à criação de suínos.
Desse modo, nos anos de 1960, toda a região estava ocupada.
No início da década de 1960, o Paraná tornou-se o maior produtor brasileiro de café, sendo a cidade de Londrina intitulada “capital mundial do café”.


Glossário


Cinturão verde: denominação usada para as áreas ao redor do centro urbano destinadas à produção de frutas e verduras, visando ao abastecimento da cidade.









       


       



       





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