sexta-feira, 22 de julho de 2016

51 - A formação da cultura do Paraná







Nosso país, o Brasil, assemelha-se a um grande mosaico formado por milhões de pequenas peças que representam cada um de nós.
Somos um povo constituído pela mistura de vários grupos humanos formados por pessoas nascidas no Brasil, e em muitos outros países e continentes, as quais adotaram a nacionalidade brasileira.
São pessoas com características físicas diferentes, sotaques e costumes diversos. A atuação dos padres missionários contribuiu fortemente para o uso das línguas indígenas, uma vez que encontraram muitas dificuldades ao usar a língua portuguesa na catequese dos índios.
Somente na segunda metade do século XVIII, com a implantação do uso da língua portuguesa por meio de decreto do governo de Portugal, é que se obrigou o ensino da gramática portuguesa no Brasil.
A contribuição indígena à cultura do estado do Paraná é muito expressiva em diversos aspectos, principalmente com relação à influência nos hábitos alimentares e a muitas expressões e vocábulos incorporados no vocabulário da região, como no nome das cidades (Maringá, Guaratuba, Apucarana, Piraquara), rios (Ivaí, Iguaçu, Tibaji, Piraí), acidentes geográficos (montanhas como Marumbi e Anhangava), fauna (pacu, baiacu, lambari, urubu, arara, maracujá, paca, sabiá, jaboti, jacaré), flora (pitanga, caqui, araçá, samambaia), ervas medicinais e alimentação. O próprio nome do estado tem origem guarani: Paraná significa “semelhante ao mar”.
Houve também uma grande influência das culturas africanas no modo de falar do Brasil, principalmente nas regiões onde o trabalho escravo foi mais marcante.
Um exemplo dessas influências são as inúmeras palavras de origem africana que foram incorporadas ao nosso idioma, como: dengo, cafuné, mulambo, samba, moleque, batuque, cachimbo, angu, caçamba, quitute, camundongo, cafajeste, mocotó, jiló, mucama, caatinga, tanga, entre muitas outras.
A base da vida religiosa brasileira também foi bastante diversa. Povos de cultura e origem diferentes, convivendo em um mesmo espaço, produziram uma mistura de crenças e religiões.
Os padres jesuítas e outras ordens religiosas que vieram para o Brasil tentaram, com a catequese, diminuir os conflitos existentes entre os portugueses e os indígenas. Porém, ao criar escolas para crianças indígenas, ensinavam também muito da cultura europeia.
Já entre os africanos, que foram trazidos como escravos, a prática de suas religiões de origem era uma forma de resistir à escravidão e de manter sua cultura no Brasil. Proibidos de praticar suas crenças, acabaram adaptando seus cultos. Iemanjá, a mãe de todos os orixás, passou a ser também Nossa Senhora da Conceição. Oxalá, que originalmente era o orixá da criação, passou a ser conhecido como Nosso Senhor do Bonfim.

Missa de encerramento da festa do Divino Espírito Santo


Missa de encerramento da festa do Divino Espírito Santo
Missa de encerramento da festa do Divino Espírito Santo, na Nova Igreja Matriz de Nosssa Senhora do Bom Sucesso. Guaratuba (PR).


No Brasil colonial, a mais popular de todas as festas era realizada em louvor ao Divino Espírito Santo, festa que ocorria em Portugal desde o século XIV. Em tal ocasião, era coroado um imperador que desfilava pelas ruas com sua corte.
Semelhantemente a essa festa, os africanos escravizados no Brasil encenavam a eleição de um rei, que era coroado e desfilava pelas ruas com sua corte.
No Paraná, a Festa do Espírito Santo ou Festa do Divino, como também é conhecida, marcou presença mais forte na cidade de Guaratuba.
Nessa festa popular são organizados grupos/bandeiras que percorrem a cidade e o interior visitando as famílias e oferecendo bençãos do Divino Espírito Santo. Em troca, os foliões recebem ajuda financeira e alimentos. Isso antecedia a Festa do Divino que se realizava na volta das duas bandeiras em frente à Igreja Matriz, em Guaratuba.

Congada. Lapa (PR).


 Congada. Lapa (PR).
Congada. Lapa (PR).


A congada da Lapa é originária do Congo, de onde veio a maior parte da população escrava para o Brasil. É um folguedo ligado ao culto de São Benedito, padroeiro da comunidade negra da Lapa. A festa mistura danças de espadas e bastões, com representação de duas cortes de reis e rainhas que se desentendem e depois confraternizam com muita música de sanfona, violões e tambores.
Já o fandango, conjunto de danças de origem portuguesa, é encontrado com mais frequência no litoral paranaense.
Composto por muitas danças, conhecidas como marcas, com diferentes coreografias, como cana-verde, caranguejo, sabiá e outras, o fandango é dançado com tamancos de madeira, em que os homens fazem o sapateado e as mulheres valseiam arrastando os pés.

Grupo de Fandango Meu Paraná, de Curitiba, apresentando-se no Mercado do Café. Paranaguá (PR).


Grupo de Fandango Meu Paraná, de Curitiba, apresentando-se no Mercado do Café. Paranaguá (PR).
Grupo de Fandango Meu Paraná, de Curitiba, apresentando-se no Mercado do Café. Paranaguá (PR).


A Festa de Reis é um evento popular de origem religiosa que, com forte influência da cultura portuguesa no Brasil, é realizada em diversos locais ainda na atualidade. São festividades do tempo de Natal que buscam relembrar a visita que os três reis magos fizeram ao menino Jesus, recém-nascido. Costuma ocorrer na segunda quinzena de dezembro e vai até o dia 6 de janeiro.
No Paraná, principalmente em comunidades rurais, é comum que, por ocasião dessas comemorações, grupos de amigos ou vizinhos se reúnam e decidam qual o repertório musical a ser cantado, acompanhado por violão, acordeão e chocalho na visita às redondezas. Costumam cantar à porta das casas e são, então, saudados pelos donos, e convidados a entrar.
Ao longo da costa brasileira, a culinária está impregnada da influência dos povos africanos, destacando-se o uso de leite de coco, de pimenta-malagueta e de banana em vários pratos, assim como nos diferentes modos de preparo de frango, peixe e doces. As comidas preparadas com produtos vindos do mar, como camarão, marisco, berbigão e, principalmente, peixes, fazem parte da cultura alimentar do paranaense que vive no litoral.
Já na região serrana, durante o início da colonização, e mesmo entre os colonos imigrantes, os tropeiros influenciaram o modo de falar, vestir, dormir e se alimentar por onde passaram. O costume de dormir em redes, usar bombachas e comer o barreado, prato mais típico e famoso do Paraná, deve-se à atividade tropeira.
Ainda, na atualidade, principalmente na região dos Campos Gerais, é comum a prática de correr atrás de cavalos e jogar o laço, o que em algumas cidades se transforma em espetáculos de rodeios que atraem grande público.
O uso da mandioca, do milho, do feijão, da batata-doce e de outros alimentos são influência das culturas indígenas. Da mesma forma, a cultura africana pode ser identificada em danças como o frevo, o samba, o maracatu, e também em muitos de nossos instrumentos musicais, como cuíca, berimbau, tambor.


Glossário


Mosaico: pavimento de ladrilhos ou pequenas pedras coloridas que, pela sua distribuição, formam desenhos.
Sotaques: pronúncia característica de um indivíduo, de uma região, etc.
Mulambo: farrapo, pano velho rasgado e sujo.
Angu: papa espessa de fubá ou de farinha de mandioca.
Orixás: divindades cultuadas pelos iorubás, trazidas para o Brasil pelos africanos. Também são conhecidos como guias.







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